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Como uma pessoa indisciplinada conseguiu blogar por 200 semanas seguidas 🤯

Essa pessoa indisciplinada sou eu.

Eu sou uma pessoa cuja lista de tarefas é rabiscada em pedaços de papel. Eu adio coisas que não gosto de fazer, tais como cálculo de impostos ou mesmo pequenas tarefas administrativas. Ocasionalmente eu como e bebo muito.

Apesar da minha falta de disciplina em algumas áreas, eu consegui escrever posts para um blog por 200 semanas. Ao compartilhar como eu fiz isso talvez eu possa ajudar outros que também queiram escrever mais.

Começando

Foi há cerca de seis anos atrás, quando comecei a escrever pela primeira vez. Procurando algum tipo de saída criativa quando mudei de função no trabalho, eu comecei usando uma plataforma simples para blog, que estava disponível na empresa em que eu trabalhava e os primeiros posts eram terapêuticos. Eu escrevi sobre coisas que eu tinha interesse e a cada post eu sentia que estava desenvolvendo uma habilidade útil.

Eu escrevi somente meia dúzia de vezes naquele ano, mas um post sobre a tentativa de usar o Gmail no trabalho atraiu milhares de comentários. Fiquei impressionado de como um simples texto reflexivo sobre uma plataforma social pôde conectar pessoas e construir movimento. Isso me deu um clique. Eu percebi que tornando as minhas ideias e trabalho visíveis, eu poderia modelar minha reputação e obter acesso a oportunidades que eu não conheceria de outra forma.

Eu comecei levar mais a sério o que escrevia. Meu amigo Eric, um autor e jornalista, ajudou-me editando meu trabalho e dando apoio. Gradualmente eu comecei a escrever mais, apreciando os comentários, e depois de cerca de 18 meses eu estava fazendo posts sobre alguma coisa a cada semana na minha empresa.

A dificuldade

O ato de escrever não acontece de forma natural. Eu procrastinava. Eu encarava uma tela em branco sem saber o que escrever. Eu detestava minhas tentativas iniciais de um post, pois eu continuava falhando ao tentar resumir um determinado ponto.

Eu também estava ciente de que muitas vezes estava desperdiçando as manhãs de sábado, pensando sobre o laptop e testando a paciência da minha esposa. E para o que?

Pensei em parar, mas lembrei do que lia nos blogs diários de Seth Godin naquela época e eles me deram a muito necessária coragem. Aqui está um deles:

 “Onde precisamente, você vai a fim de obter permissão para fazer a diferença no universo?...

Se você pensa que existe uma chance de você fazer a diferença, VÁ E FAÇA. Agora. Corra. Você tem minha permissão. Não que você precise dela.”

E outra:

“Você está fazendo a diferença no universo?

Dica: cutucadas aleatórias em muitos pontos diferentes provavelmente não deixarão muito impacto. E esconder-se certamente não vai funcionar.”

Eu sempre pensei que poderia fazer a diferença, mas estava cada vez mais ciente de que o tempo estava se esgotando. Tornei-me mais decidido. Num momento não tão bom da minha carreira eu vi o que era não ter muitas opções e vi a escrita como um jeito de ter algum controle sobre meu aprendizado e acesso às possibilidades. Recusei-me a desistir.

Em junho de 2011, depois de escrever por alguns anos no trabalho, fui dar uma palestra numa conferência e eu queria que as pessoas que lá estivessem pudessem encontrar meu trabalho online. Então comprei um domínio de internet, peguei um tema de Wordpress e angustiei-me com meu primeiro post público.

Acredito que somente 16 pessoas o leram e a despeito de toda minha escrita no trabalho, eu ainda não tinha encontrado minha voz – o que eu queria dizer e como queria dizer. Mas isso foi há 200 semanas atrás. Quanto mais escrevo, mais confortável fico. Ao longo do tempo, um crescimento gradual na audiência iria dizer-me qual era a expectativa sobre meus posts das manhãs de sábado. Não querer decepcioná-los motivou-me nos envios semanais.

Fazendo disso um hábito

À medida que as semanas passavam, eu ficava gradualmente mais esperto. Eu mantinha uma lista de tópicos que nunca me deixavam entrar em pânico em frente a uma tela em branco.  Eu iniciava rascunhando o post alguns dias antes de tal forma que meu subconsciente pudesse trabalhar no post por alguns dias. E eu cumpria um cronograma. Tudo o que li sobre autores que eu admirava dizia que eles tratavam a escrita como um trabalho. Você senta e escreve e cumpre seu prazo, não importa o que aconteça.

Depois de cerca de 100 posts públicos, a escrita começou a ficar mais fácil ou, mais precisamente, eu não me preocupava mais tanto com isso. O regime me aliviou muito do estresse. A dificuldade de escrever um bom primeiro rascunho agora é familiar e minha ansiedade rapidamente se transforma em reconhecimento. “Está tudo bem”, digo a mim mesmo, “é apenas parte do processo”. Também sei que cada post é mais um pequeno passo para melhorar.

Embora eu ainda não me reconheça como uma pessoa disciplinada, tornei-me um escritor disciplinado, agora criando posts duas vezes por semana e já tendo finalizado um livro. Escrever agora é algo que gosto de fazer e posso ver-me aplicando esse processo e essa disciplina em outras partes da minha vida.

Aguardo ansioso por isso.


Texto traduzido e adaptado ao Português por Edgar Amorim para a Comunidade Working Out Loud Brasil / WOLonlineBR

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