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Quer relacionamentos com mais conexão? Experimente esta técnica Zen. 🤝

 Nota: De vez em quando eu atualizo algum post que originalmente apareceu no workingoutloud.com e publico aqui no LinkedIn. Eu escrevi este em janeiro de 2016 e lembrei dele quando recentemente eu li “Not Always So” (“Nem Sempre Assim”), de Shunryu Suzuki, que fundou o primeiro centro de meditação nos EUA. Apesar de sermos programados para fazer julgamento precipitados sobre outros, você pode praticar adotando uma “mente de iniciante” à medida que interage com outras pessoas ao longo do dia. Quanto mais você permanecer aberto e curioso, mais você descobrirá lindas histórias.

Você já encontrou alguma vez alguém e, por instantes, sentiu que sabia que tipo de pessoa ela era? Talvez você tenha lido um de vários artigos que ajudam a analisar a linguagem corporal ou expressões faciais. Talvez você até tenha dito coisas do tipo Eu poderia ler essa pessoa como um livro ou Eu conheço esse tipo de pessoa.

A habilidade de poder reconhecer rapidamente o jeito de uma pessoa pode ser muito útil – exceto quando você estiver errado, o que em geral acontece 100% do tempo (como diz Byron Katie).

100% do tempo

Uma das grandes habilidades que nós temos como seres humanos é nossa habilidade de preencher lacunas em nosso conhecimento para unir partes para criar uma história coerente, uma que se encaixe no que conhecemos e que seja consistente com a experiência que temos. Ela nos ajuda a compreender as pessoas e o mundo de forma geral.

Ao construir uma história sobre alguém, você o rotula com uma ou duas características, descrições abreviadas do tipo de pessoa que ele é. Uma vez rotulado, você provavelmente encontrará informações que confirmarão os rótulos. Agora você sabe que você o conhece.

Exceto que esteja errado ou no mínimo tenha um entendimento lamentavelmente incompleto. A Prof. Heidi Halvorson conversou sobre a ciência da percepção com a Harvard Business Review e eles resumiram esse tema dessa forma:

 “Nas palavras da Sra. Halvorson, durante uma “primeira reunião breve, o observador tem muito a perceber, entender e agir para dar atenção integral e imparcial”. Ao invés disso, ele forma um julgamento instantâneo com baseado em “estereótipos e outras suposições – usando pistas, tais como aparência física, sua função na organização e sua linguagem corporal para preencher as lacunas”. Não é difícil compreender como esses julgamentos precipitados levam a falsas impressões. Como ela diz, “o jeito como nos vemos pode ser irracional, incompleto e inflexível”.

Irracional, incompleto e inflexível. Embora possa ser útil fazer julgamentos precipitados sobre as pessoas, é gravemente limitante. Esse conhecimento que você pensa ter é apenas um subconjunto distorcido da realidade e está impedindo você de desenvolver relacionamentos mais ricos e significativos.

Pode ser da natureza humana fazer tais julgamentos precipitados, mas não somos escravos da nossa natureza. Com a prática, podemos desenvolver um jeito melhor de ser. 

Uma técnica Zen poderosa

Na verdade, esta técnica Zen não é uma técnica. É um estado mental – uma perspectiva, que é aberta e disponível ao invés de fechada. É chamada de “mente de iniciante” ou shoshin (初心):

“Ela se refere a ter uma atitude de abertura, vontade e ausência de preconceitos ao estudar um assunto, mesmo quando o estudo for num nível avançado, apenas como um iniciante estudaria aquele tal assunto.” 

Shunryu Suzuki, que foi pioneiro no ensino do Zen nos Estados Unidos no final dos anos 1960, descreveu dessa forma em  Zen Mind, Beginner’s Mind (A Mente Zen, A Mente de Iniciante):

“Se sua mente está vazia, ela está sempre pronta para qualquer coisa; ela está aberta para tudo. Na mente de um iniciante existem muitas possibilidades; na de um especialista existem poucas.” 

Ele ensinou que o objetivo de praticar o Zen não era acumular mais sabedoria e tornar-se mais especialista, mas ao contrário “o objeto de praticar é sempre manter a mente de um iniciante”.

Tente isso na próxima vez que conversar com alguém

Um amigo meu (claramente não Budista) usa uma técnica similar quando encontra novas pessoas, embora ele descreva de outra forma.

 “Quando entro numa sala cheia de pessoas, eu imagino que cada uma delas tem uma história interessante para contar e é minha tarefa descobrir qual é essa história.”

Ao invés de observar toda a sala e colocar as pessoas em caixas com rótulos organizadas, meu amigo agora é aberto a descobrir o que cada pessoas tem a oferecer. O resultado é que ele se tornou um bom ouvinte, mais aberto e mais curioso. Essas são qualidades que qualquer especialista em relacionamento reconheceria.

Se você está numa reunião com alguém pela primeira vez ou discutindo algo com sua esposa, ter uma mente de iniciante quando conversa com eles significa que sua mente está livre de noções preconcebidas, estereótipos e rótulos e como o que eles estão dizendo se relaciona a você e todos que passam pela sua cabeça enquanto você está com alguém.

Ao invés disso, você está apenas presente, ouvindo com atenção. Esse é um dos melhores presentes que você tem a oferecer para alguém e isso pode ser o início de uma bela relação.


Texto traduzido e adaptado ao Português por Edgar Amorim para a Comunidade Working Out Loud Brasil / WOLonlineBR


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